"Esse sentimento belo,
Que brota em mim.
Não conhece limites nem fronteiras,
Jamais parece ter fim.
Nem fim, nem começo,
Nem meio, nem nada.
O desejo ténue de te adorar,
Deixa-me perante uma fase complicada.
Pois a tua ausência,
Provoca em mim a demência.
O medo da solidão,
Que me embala na escuridão.
O abismo onde não estás,
Por onde não vislumbro o teu ser.
Se porventura não te tenho,
Sinto-me desfalecer.
Desfalecer de sofrimento,
De angústia e de mágoa.
Fico escuro como breu,
Frio como triste madrugada.
Onde surge o nevoeiro,
Que se adensa fortemente.
Mergulho na neblina,
Qual ser delinquente.
Mas que será este sentimento,
Se não existir tristeza?
Faz parte da vida,
Essa é a certeza.
Tão certo como te ter,
Como te sentir, como te amar.
Todos os riscos são válidos,
Somente para te olhar.
Esse olhar imenso como o mundo,
Transportando-me para o profundo.
Nas entranhas do meu ser,
Desejoso por te ter.
Por te explorar…
Cada centímetro do teu corpo.
Leva-me a delirar,
A divagar no pensamento
Perdendo-me no mundo,
Em que nada interessa.
Mas em que tudo interessa,
Erguendo-me sorridente.
Eufórico por te ter,
Por em ti me perder.
Noites loucas de paixão,
Quebrando a enorme tensão.
A tensão de ter que partir,
De por dias me ausentar.
Sem te ter por perto,
Sem te poder tocar.
Sem te saborear,
Sem te beijar.
Sem te sentir,
Sem te descobrir.
Sendo todos os dias de descobertas,
Tão juntas e tão dispersas.
A essência do teu ser,
São tantas coisas certas…
E ao mesmo tempo incertas,
Transpondo-me para o desafio.
Desde que por perto te tenha,
Jamais recearei o frio.
Enfrentando com aquele brio,
Aquele que tão bem conheço.
Arranca-me do vazio,
Por vezes adormeço.
Adormeço no amor,
Na imensidão de te ter.
Parte da minha vida,
Contigo irá ser vivida."

